quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

As couraças musculares nos sete segmentos corporais

As Couraças Musculares que Reich descreveu são encontradas em 7 Segmentos Corporais:

1. OCULAR: complexo, compreende cérebro, audição e visão. Os olhos como espelho da alma traduzem o que ocorre no nosso interior e servem para estabelecer o primeiro contato que se inicia com a mãe durante a amamentação. Tem a função de contato, impressividade e expressividade.
O encouraçamento deste segmento pode se expressar como desatenção, cefaléias, fotofobia, falta de contato, disfunções do movimento ocular.
Principal emoção contida: MEDO.

2. ORAL: A boca é o sistema equlibrador de todo nosso sistema energético, possibilitando o segundo ato vital do ser humano que é a sucção. Na fase oral, o contato com o seio materno serve como matriz emocional que vai se refletir em toda a vida do indivíduo. No adulto, a boca tem função nutritiva, expressiva e de vocalização.
Couraças neste segmento podem se expressar pela contração e tensão excessiva dos músculos mastigatórios como bruxismo noturno (ranger os dentes dormindo) e distúrbios da ATM (articulação temporo-mandibular).
Principal emoção contida: RAIVA

3. CERVICAL: O segmento cervical serve de ponte e ligação entre a cabeça - pensamento e consciente e o corpo-desejos e vontades - insconsciente. Inclui músculos da fala, deglutição, sustentação e movimentos da cabeça, glândula tireóide. A postura da cabeça e pescoço expressam a forma em que a pessoa se coloca no mundo: orgulho, submissão, ameaça, etc. A vocalização indica como a pessoa expressa suas emoções, relacionando-se com o ambiente. Principal emoção contida: NARCISISMO.
Sintomas e encouraçamento englobam: alteração do timbre da voz, sensação de "bolo" na garganta, tosse nervosa, dificuldade de chorar e gritar, distúrbios posturais, torcicolos, cefaléias de origem cervical, artrose cervical.Choros e gritos contidos, bem como "nãos" não ditos contribuem para o encouraçamento deste segmento.

4. TORÁCICO: Ligado à vitalidade da pessoa, ao importante processo da respiração e aos órgãos vitais de troca energética entre o meio interno e externo (caixa torácica e pulmões). Representa a forma em que a pessoa entra em contato com o meio externo e sociedade e sua capacidade de amar.
A respiração alterada por encouraçamento neste segmento pode ser expressa através da dificuldade para expirar (botar o ar para fora) e consequentes deformidades torácicas como o peito inflado, doenças respiratórias como asma. Nestes casos, o indivíduo se defende do contato com o meio externo e têm medo ou pânico de sair de sua segurança ilusória. No caso da dificuldade de inspirar (botar o ar para dentro), o indivíduo por pena de si mesmo, tristeza ou insegurança, tem medo do contato com o meio externo, estando sujeito a distúrbios pulmonares como pneumonias e atelectasias. Musculatura do ombro (trapézio, escaleno e ECOM) excessivamente tensa e contraída pode estar relacionada ao excesso de medo ou de pressões do cotidiano, associado geralmente à anteriorização da cabeça, pois tem-se que se seguir em frente. Principal emoção contida: CHORO.
Uma pessoa com a parte anterior do tórax fechada e encurtada associada a um arqueamento exagerado das costas (hipercifose torácica ou corcunda) se relaciona, segundo Lowen, ao excesso de medo do contato e à raiva contida. Através da respiração, exercícios visando alongar a musculatura encurtada e reequilibrar a alongada, propiciamos o desbloqueio desta couraça, abrindo seu coração e sua auto-confiança e a capacidade de amar.

5. DIAFRAGMÁTICO: Está diretamente relacionado à respiração e às emoções. Órgãos: diafragma, fígado, vesícula, estômago e duodeno.

6. ABDOMINAL: Órgãos: muscúlos abdominais, intestino e rins. Relaciona-se às emoções e sensações mais primitivas.
Sintomas de encouraçamento incluem: musculatura abdominal flácida ou hipertônica, gerando quadros de dores lombares e/ou hiperlordose lombar (excesso da curvatura da coluna lombar), prisão de ventre ou diarréia, bloqueio da passagemde energia da pelve para o coração.

7. PÉLVICO: Tem a ver com a sexualidade humana e com a maneira em que se relaciona e transforma essa energia. A energia sobe pelos pés, pernas, chegando à pelve. A forma de contato dos pés e pernas com o chão indicam o grau de estabilidade, segurança e independência do indivíduo. Joelhos levemente dobrados (fletidos) e dedos em garra indicam pessoas muito terra e com dificuldades de abstrair, ousar ou criar. O contrário, ombros como se fossem ombreiras, altos, e dificuldade de colocar o calcanhar no chão refletiriam dificuldades de encarar o aqui e agora, de "aterrar".
A pelve constantemente contraída ( em retroversão ) estaria relacionada com a perda constante de energia sexual, implicando na falta de energia para realizações. Já o famoso "bumbum enpinado" (com a pelve em anteroversão) seria um indicativo de excesso de energia sexual não canalizada por frustações, medo ou raiva.

As pesquisas de Mme Pirèt e Mme Bézièrs e a visão psicocomportamental de Mme Godelieve: pilares do Método Bertazzo

A compreensão da bimecânica do corpo aplicada ao movimento é fundamental e alguns métodos, entre eles, o de Ivaldo Bertazzo, se apoiam nas pesquisas de Mme Piret e Mme Beziers.

Ivaldo Bertazzo é um profissional que observa, vê, molda, descobre e entende como o corpo pode ser livre e forte. Ele nos explica com fundamento que "existem duas condições em que podemos observar como um corpo funciona: em pé (posição estática), ou em movimento (essencialmente na marcha ou durante as mudanças de posição). Podemos dizer que a maneira de movimentar-se determina como ele permanecerá em pé, assim como a forma de equilibrar-se parado determina como desencadeará as contrações musculares que resultarão no deslocamento. Basicamente, ao olharmos uma pessoa em pé, parada, devemos nos atentar a como ela distribui seu peso e suas massas corporais (bacia, tronco, cabeça): de frente (plano frontal), observamos se o peso está mais para a direita ou para a esquerda e quais assimetrias na bacia e no eixo vertebral são resultantes deste deslocamento; enquanto de perfil (plano sagital) podemos entender como se comportam os músculos responsáveis pelo alinhamento destas massas." Em seus cursos ou mesmo durante suas aulas, spas, e como coreógrafo, Bertazzo preconiza a importância do trabalho nos membros inferiores, " ele é a base para a estabilização da bacia nestes dois planos. São trabalhados a percepção da estrutura óssea da pelve, seu volume e sua relação com o fêmur (via ilíacos) e com a coluna vertebral (via sacro). A compreensão da transmissão das forças ascendentes (provenientes do contato com os pés no chão) e descendentes (o peso do corpo) na bacia constitui a base para o entendimento dos circuitos musculares, i.e., da passagem de tensão das extremidades para o centro e vice versa. Só com um alinhamento articular correto há equilíbrio entre os grupos musculares e relações adequadas de sinergismo muscular. Isto porque o bom posicionamento articular coloca os músculos numa boa relação alongamento/tensão." E explica a importância do movimento no espaço..."A utilização correta de mãos e pés favorece a distribuição da tensão nos membros superiores e inferiores, direcionando seu movimento no espaço. Mas isso não se limita aos membros: a tensão nos membros inferiores é transmitida ao tronco por circuitos musculares precisos –desde que haja uma boa colocação da pelve no espaço – da mesma forma que a tensão dos membros superiores é transmitida ao tronco e ao crânio - desde que a cabeça do úmero esteja bem acoplada à cavidade glenóide e desde que a escápula esteja bem apoiada sobre o tórax. Da mesma forma que a coluna se apóia sobre L5, a coluna cervical toma apoio na cintura escapular e na sua boa relação com o esterno e com as primeiras costelas, sendo esta organização vital para a manutenção da horizontalidade do olhar. Os conceitos de “unidades de coordenação” e de passagem de tensão (via músculos pluriarticulares) provenientes da teoria biomecânica de Piret e Béziers auxiliam a compreensão destas relações. O uso dos membros como forma de ativação e estabilização do tronco é um dos principais diferenciais do Método Bertazzo ."


Todos os profissionais que atentam diretamente para o corpo, que lidam com seus corpos ou com os de seus clientes e pacientes, agregam, literalmente, muitos conhecimentos quando vivenciam o método. Todos os cidadãos comuns deveriam experimentar, porque o corpo com certeza agradecerá. Pois se perceberá outro, mais forte, mais útil, mais vivo. Quando falamos em corpo não há como dissociar da atitude. E a atitude espelha quem somos nós.

Artigos científicos sobre a relação entre a perda do equilíbrio e problemas posturais

É importante sabermos que estudos científicos mostram que a diferença de membros, ou problemas posturais tais como escoliose, ou até mesmo a diferença de idade não implicam necessariamente na perda de equilíbrio pois o corpo se acomoda e busca suas compensações. Veja só...
O primeiro estudo diz que "Para concluir este estudo ficou evidente que a alteração postural pode ser realizada através de um sistema de imagens e plataforma de força, sincronizados, formando um sistema único. A descarga de peso em um dos membros inferiores leva a um desequilíbrio de forças provocando alteração da postura, porém essa alteração não define um padrão de inclinação do tronco lateralmente, pois essa inclinação pode se homolateral ou contra-lateral à descarga de peso. A questão que pode ser levantada no presente momento é que cada indivíduo usa uma estratégia diferente para manter o equilíbrio corporal, uns com maior gasto energético, outros com menos. A estratégia usada pode estar na posição da pelve alterada devido a uma hipotonia muscular, contratura muscular ou diferença de tamanho do membro" por Paulo Henrique Cintra Soares1, Daniel Gustavo Goroso2, José Augusto F. Lopes3.
O outro estudo foi feito por CAMPELO, T S; BANKOFF, ADP; SCHMIDT, A; CIOL, P; ZAMAI, CA no Laboratório de Eletromiografia e Biomecânica da Postura da Faculdade de Educação Física – Unicamp/Campinas e conclui que "Este trabalho apresentou valores em graus, que caracterizavam a postura de cada sujeito baseado na análise postural computadorizada. Estes dados não podem ser considerados como uma representação de uma postura correta ou incorreta, mas sim parâmetros de auxílio para uma abordagem individual da postura de um sujeito, haja vista que a postura não abrange apenas fatores genéticos e biofísicos, mas também aspectos culturais, sociais e psicoemocionais...Tal aspecto pode ser explicado pela adaptação que o organismo humano é capaz de fazer frente a constantes estímulos, ou seja, mesmo a postura apresentando desníveis, assimetrias ou desvios acentuados, isto não significa necessariamente que o equilíbrio postural corporal sofrerá alterações".

Minha trajetória profissional

Com 12 anos de idade, bati na porta do Educandário Santista, uma Instituição para crianças carentes em Santos, e sorridente, me apresentei. Eu queria brincar e cuidar das crianças. A senhora que me atendeu, cujo nome já não me lembro mais, muito simpática, me aceitou. E lá fui eu, uma criança, querendo dividir meu mundo e toda minha vivência com outros pequenos que, nem preciso dizer, tinham a mesma idade que eu.... Era uma menina com muitas brincadeiras na idéia, que gostava de literatura, poesia em especial, e expressão corporal. Fiquei por lá pouco tempo mas gostei. Minhas propostas de brincadeiras sempre faziam uma analogia com o corpo, ou escrevendo sobre ele ou desenhando. E passei a frequentar diferentes aulas e cursos ligados ao corpo. Consciência corporal, teatro, dança contemporânea, Tai Chi, natação, várias técnicas de massagem, Capoeira, Do-In, Tui Na. Lia sobre o assunto, Reich, Klauss Vianna, Medicina Chinesa, Piaget, Therese Bertherat, Silvie Lagache.
Mais pra frente montei um Centro de Convivência chamado Mil e Uma Noites cuja finalidade era a expressão infantil através da linguagem falada, escrita, cantada, e corporal. Nessa época, por volta de 1986, comprei alguns computadores e comecei a explorar essa ferramenta com as crianças. Passei a agregar outros estudos, Laban, Eutonia, e a massagem. A partir daí fui me dedicando ao trabalho com crianças no Colégio Afonso Pena, em Santos, Madre Cabrini e Escola da Vila, em São Paulo.
Comecei a dar aula de Consciência Corporal para adultos e nessa mesma época junto com Ana Lúcia Queiroz, Arlaine Gomes e a arquiteta Ornela Flandoli, fizemos o 1o evento A Hora da Dança que levou à público a discussão e o conhecimento do tema com a participação de vários profissionais de renome. Foi uma bela produção! A partir daí dediquei meu trabalho também à produção de eventos musicais. Passei a produzir vários artistas, André Geraissati, Nando Carneiro, Zezo, Arrigo Barnabé, Paulinho Nogueira, Gilberto Gil e muitos outros. Completei a minha mais importante série de obras de arte, meus quatro filhos. Foi então que resolvi me dedicar ao estudo da fisioterapia com calma. Fui para Cuba, para ver de perto, sentir e aprender o que os cubanos sabiam do corpo e como tocá-lo.
Fui conhecer Ivaldo Bertazzo e me formei na Escola do Movimento. Estudei as cadeias musculares também pela visão da RPG, mas observei que não estava em mim essa forma de atuação. Fiz outros estudos na área de neurologia e ortopedia. Me pós graduei pela USP em Traumato Ortopedia e voltei a trabalhar no 3o setor no Ambulatório de Fisioterapia que montei com duas amigas, entre elas Aline Lando. Trabalho que desenvolvo com idosos a mais de 6 anos no bairro da Cidade Dutra, em São Paulo.
Coordeno com a Dra. Aline Lando a equipe de fisioterapia do projeto epidoso, junto à medicina preventiva da Faculdade Paulista de Medicina.
Fiz o curso de Cadeias Fisiológicas com Leopold Busquet e o fisioterapeuta Leonardo Machado, e agreguei boa informação teórica e questões profundas para refletir, além é claro de ter lapidado um pouco mais esse bem sagrado que é " a mão"!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

3a. idade / Idosos / Velhice - minhas observações no Projeto Epidoso

Perdi minhas avós neste último ano, sogro e sogra também.
Ando questionando essa grande falta de conhecimento sobre a velhice, que parece cada vez ser mais evidente nas novas gerações. Minhas questões surgiram não só pelo que acompanhei junto à eles mas por minhas observações neste período de avaliação dos idosos que participam do projeto epidoso. O que ficou: na observação direta, familiar, vi que é possivel mudar até o final da vida, mudar intrinsicamente, rever valores e modificar padrões, que isso se torna mais fácil ou talvez só possível para aqueles que mantiveram a alegria, o bom humor.
Viver sozinho não deprime necessariamente o ser humano, pois aquele que está acompanhado por vezes se deprime mais. Porém espaços muito longos de tempo colaboram para o sentimento de abandono. Respeitar o desejo do idoso e tentar adequa-lo ao maximo à realidade é um caminho saudável. A conversa, o afago, o carinho físico é fundamental. Poder ir e vir, numa cidade que propicie esse deslocamento é melhor ainda. O idoso que envelhece com a familia, os amigos, produzindo o que valoriza, respeitando o outro, que tira um sarro, que canta ou dança, que faz comida pra todo mundo, que continua seu namoro com a vida, que se aproxima das crianças, de sua religião... que viaja, ou seja, que faz com prazer, e que passa esse sentimento aos outros, esse idoso é mais disposto, mais confiante, menos doente. Nas conversas durante as avaliações fisioterapêuticas notei que aqueles idosos que tinham entre 60 e 70 anos, que ainda produziam e que não estavam absolutamente sozinhos, tinham melhor condição de saúde e expressavam mais ânimo dos que os a partir de 70 anos. Em relação à manutenção e organização da postura também havia uma diferença relevante. E os homens em geral estavam melhores que as mulheres.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A profissão que exerço

O atendimento de fisioterapia, individual.
A queixa do cliente dá início a anamnese, onde se delimitam a causa da patologia e os acontecimentos físicos e sociais que levaram à ela. Mesmo sendo o motivo da consulta um trauma direto, uma perna fraturada, por exemplo, ou dor nas costas, o atendimento começara pelo local do trauma mas depois irá englobar todo o corpo pois o objetivo principal é a saúde do movimento do corpo e a possibilidade da manutenção desta.
A anamnese, a avaliação e os exames registram como o corpo se encontra. A partir daí começam os atendimentos que são semanais, com 50 minutos de duração. O cliente fará exercícios em casa durante algum tempo e depois irá espaçando as sessões. O trabalho consiste em desprogramar músculos com tensão excessiva, realinhar articulações, aliviar tensões de toda a fascia, inclusive na cavidade torácica e abdominal, e se necessário for, no crânio, suprimindo a dor. Num segundo momento é feito o reequilibrio e a reprogramação do movimento, coordenado e organizado.

O atendimento em grupo, com até 3 pessoas, que pode ser uma ou duas vezes por semana e tem uma hora de duração.
De uma forma eficaz o que buscamos é o bem estar através do movimento. Isso se traduzirá por auto estima, um sono de melhor qualidade e disposição para as atividades do dia a dia. Iniciamos com a percepção do corpo desde seu conteúdo mais interno e as sensações que advém disso pois são uma ferramenta importante na criação espontânea dos movimentos. O corpo também desenvolverá habilidade e força a partir de um controle motor a ser lapidado através do movimento. A força, aliada a flexibilidade por ajustes ósseos articulares precisos geram energia suficiente em forma de vida. Diversos objetos são utilizados durante as aulas, bolas de vários tamanhos, faixas, cordas, panos, rolos, prancha de pilates, etc.



Atendimento em domicílio, tanto para fisioterapia quanto para massagem e drenagem linfática. Há uma equipe de profissionais a disposição. A duração dos atendimentos é de 50 minutos.

Atendimento à empresas que oferecem fisioterapia preventiva aos seus funcionários garantindo assim o conforto necessário na execução dos movimentos feitos durante o trabalho. Sem dor, com conforto e disposição. Uma equipe de fisioterapeutas realiza os atendimentos, no próprio ambiente de trabalho, duas vezes ao dia, com 15 minutos de duração. Método Ana Claudia Queiroz.

A coordenação da equipe de Fisioterapia do Projeto Epidoso, setor de medicina preventiva da Escola Paulista de Medicina junto com a Dra Aline Lando.

Os estudos sobre o corpo me levaram às cadeias musculares e articulares e seu funcionamento. Essas leituras fantásticas mais a experiencia prática me mostraram que o corpo tem uma multiplicidade de caminhos, não só musculares e articulares, mas caminhos fisiológicos que abrangem todo o tecido conjuntivo. Duas possibilidades distintas nos apresentam durante toda a vida, a liberdade ou o aprisionamento do movimento, conhecer o corpo e cuidar dele é a escolha que podemos fazer com sucesso. E é sobre essa perspectiva de liberdade que apóio e aprofundo meu trabalho. Um corpo saudável é um corpo que busca ser livre e expressivo.

Maiores informações por anavasconcellosqueiroz@gmail.com
ou pelo telefone 11.28340120.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Como comecei a perceber o corpo


Desde pequenina, ainda no berço, tentava me levantar para ver meus irmãos que do lado de fora se mexiam sem parar. Essas são minhas mais remotas lembranças que ainda que modificadas retratam como eu começava a perceber o outro e trocar. Saí do berço rápido, corri a casa e não parei de brincar tão cedo. No terraço, na rua, na praia, na escola, com tanta energia acabei furando a cabeça por duas vezes. Minha primeira aula de dança foi por volta dos 7, 8 anos, época em que passei a freqüentar aulas de jazz gymnastic com minha irmã! Nunca me esqueci do nome, tão pomposo, nem do lugar e da professora. Era uma sala gigante, clara, com diversos espelhos e chão de madeira. Podíamos nos mexer a vontade como num sonho, e quando a musica começava eu ia junto com ela, leve, forte, rapidamente, devagar, pra baixo, pra cima, pequena, grande, girando solta sem parar...
Em casa brincava sozinha, com minhas alunas e amigas imaginárias, com as quais conversava extensamente. Na praia brincávamos nas ondas, eu e meu irmão, com uma prancha de isopor branca. Na escola eu corria, pulava, subia, pegava, escondia.... jogava bola, nossa, como eu me divertia! Foi assim que comecei a mexer meu corpo pra lá e pra cá, e acho que por isso consigo mexer minha vida, meus pensamentos e criar.